Sabes do que te esqueceste?
Sabes o que não fizeste depois de me levares ao orgasmo?
Tudo, esqueceste-te de tudo.
Principalmente de um abraço forte, apertado.
Esqueceste-te de dar um carinho...
Tiraste-me de casa, levaste-me para o hotel, amaste-me (será?). Enchemos os nossos corpos de prazer. Saboreámos todo o nosso desejo latente e acumulado. E depois? Nada! Levantavas-te despreocupado da cama, fazias uma graça, e deixavas-me tomar o fôlego para novamente recomeçarmos.
Sabes o que é que eu acho? Nunca foste amado verdadeiramente, e ainda não percebeste o que é Amar. Aliás, se eu quisesse dar-te um carinho, uma ternura, tu não permitias. Nunca me deixaste aproximar, e sei que foi uma defesa tua. Mas às vezes precisamos recolher as defesas, ou pelo menos descobrir quem não nos vai magoar intencionalmente, para permitir que essa pessoa entre. De uma forma demasiado retorcida, entendo-te. E acho que não sabes disso. E também não me deixas dizer-to. É pena! Assisto impassível à tua necessidade de conforto. Deambulas sozinho e pensas que tratas de todos. Mas quem trata de ti? Eu quero, deixas?
Assisto à tua solidão sentada numa plateia vazia, porque até está lá muita gente sentada mas quase parece que estão vendados ou não querem ver. Diria também que existem outros que caminham ao teu lado, mas deliberadamente te deixam sozinho, já reparaste? Mas teimosamente não te deixas abater, achas que é isto a vida. E procuras iludir a tua mente e o teu corpo, procurando o transviado, em lugares impróprios, deixando pelo caminho um trilho de pecado...
Quero cuidar de ti, posso?






