segunda-feira, 3 de junho de 2013

Clandestino....




Conquistaste-me pelo teu sentido de humor. Mas acima de tudo pela tua imensa frontalidade e sinceridade.
Conquistaste-me porque te dedicaste a mim naquela noite, e me levaste para uma ruela deserta, de madrugada. Não desististe enquanto não aceitei um passeio de prazer contigo. Essa persistência trouxe-te frutos. Trouxe-te as tão ambicionadas gotas do meu prazer nos teus lábios, na tua língua, quando saímos para fora do carro e me deitaste o corpo sedento por cima do capot, para te facilitar o alcance a tais pérolas.
Foi também com os pés quase a atingir a lua que gemi e arqueei as costas por cada entrada em que me conduzias a arrepios de deleite e humor. E por cada saída, seguida de entrada, seguida de saída, ritmada, compassada, controlada, arfante,estrelada passagem que percorrias em mim. Uma noite quente, com uma brisa amena, que nos fez suar os corpos ligados. Uma noite intensa onde te torturei, sentada no teu colo, até que me imploraste que parasse. Não aguentavas  mais e não querias dar por terminada uma jornada que te custou a conquistar. Quiseste mostrar-me a tua mestria, eu torturei-te com prazer, gemidos, gula e luxúria. Senti-me rainha e dona dos teus desejos, e foi apenas quando o dia amanheceu que te libertei de mim. Torturaste-me tu em seguida,  por te teres deixado levar pelas minhas pernas abertas no teu colo. E não desististe até me ouvires gritar na alvorada que se avizinhava, até me sentires estremecer debaixo de ti  tornando-te o dono e senhor...

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Eu.... (3)




Porque é que estamos todos sempre à espera de escutar um "Amo-te"?
De onde nos surge esta necessidade extrema de afecto?

Não seremos nós seres auto-suficientes? Podemos cuidar de nós, manter-nos, sustentar-nos, vivermos... mas a necessidade palpitante de afirmação junto do semelhante insurge-se no nosso dia-a-dia. É o motor deste nosso veículo chamado corpo, onde a mente constitui as rodas que giram em busca de uma palmadinha nas costas, um busca de um sorriso, de um beijo, de uma carícia, de um afago que será sempre insuficiente. Sempre fugaz. Sempre momentâneo. Sempre instantâneo. Sempre efémero. Porque é que nunca chega? Porque somos irremediavelmente enleados nesta teia sem fim? Somos presas do nosso desejo, somos predadores nesta busca, nesta demanda do Santo Graal. Perdemo-nos em camas alheias, em carros perdidos no mato, em escadas auspiciosas de tesões prementes, em praias vazias... em tantos lugares que satisfazem a gula, mas descontrolam a avareza numa vingança sem fim, num pecado constante com o nosso próprio Eu. No fundo agimos contra nós. Ébrios de um alcoolismo de uma vida, castigamo-nos numa oratória que se prolonga por dezenas de anos...
 
Porque o prazer supremo, o sentir que estamos completos, o encarar a nossa felicidade, nunca é atingido. A verdade é que somos felizes quando não estamos tristes. Mas nesses intervalos de felicidade que tantas vezes enchem o nosso dia, fazemos questão de regressar ao passado para recordar uma qualquer situação que nos cria saudade, como se ali residisse a cereja no topo do bolo. Ou fazemos questão de imaginar o futuro, e ambicionar sempre algo que será melhor do que o agora. Mas afinal o agora chega! Porque não estamos tristes, porque acabámos de sorrir, porque nos sentimos bem! Mas não nos quedamos a saborear o agora, fugimos sim para o ontem ou o amanhã. O agora desaparece, e o momento de felicidade evapora-se... Precipitando-nos novamente na demanda ilusória de que nos falta algo.
 
Quando somos crianças instigam-nos a estudar para podermos trabalhar e ser gente. Quando nos tornamos adultos, não é a trabalhar que somos gente. É quando alguém nos sorri, nos cumprimenta, nos ouve, nos observa, que passamos a ser gente. Gente aos olhos dos outros. E não gente para nós. Até na nossa busca somos infelizes...
 
Onde está o Agora que nos faz sentir bem? Consegues prendê-LO?...


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Anéis....





Anéis que te identificam...
Anéis que te comprometem...
Anéis que te remetem ao auge do sentir.
 
Anéis que envolvo em mim, que revolvo com a mestria de uma língua que te conhece. Que te descobre o sentir, que te aguça a erecção, que te palpita o pensamento. Anéis que percorro como um caminho rotineiro onde reconheço sulcos e vales. Anéis que eu vandalizo. Anéis que se acirram ao saborear um sopro quente de promessas que se avizinham. Anéis exaltados pela humidade da minha boca. Anéis entumescidos de prazer que recolho em mim, lambendo prazeres pingados. Anéis que compõem a espiral onde me lambuzo. Anéis que são a partitura que dedilho com fervor...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Danças....




Principiam as noites quentes...
Os corpos suados...
As noites de folia...

Inebriada na dança e nos sons, 
encontro-me envolvida em línguas abraçadas, 
mãos escondidas, 
abraços velados, 
desejos sussurrados.

Onde tudo começou e acabou num molhado.... Kiss!

"You don't have to be beautiful, to turn me on.
I just need you boby baby, from dusk 'til dawn.
You don't need experience, to turn me out.
Just leave it all up to me.
I'm gonna show you what it's all about.
You don't have to be rich, to be my girl.
You don't have to be cool, to rule my world.
Ain't no particular sign I'm more compatible with.
I just want your extra time and your.... kiss!

(...)

I want to be your fantasy, maybe, you could be mine.
Ain't no particular sign I'm more compatible with.
I just want your extra time and your.... kiss! Yes!"



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Obscuridades...




Há dias em que consigo afogar o coração e racionalizar bem acções e acontecimentos... 
Hoje foi um dia assim. São dias em que sorrio ainda mais!

Mas agora desejo que me afogues em ti, que me tomes tua, que me vandalizes o sentir e me deturpes o pensamento. Anseio por me sentir presa, enclausurada, retida em desejos de alma, vendada para um mundo que não evolui. Porque a tua pele transporta um viver à minha pele. Electriza distâncias que de pequenas se tornam gigantes de transpôr. Une vontades engolidas no fervor da paixão. Deixa que a tua pele comunique através da minha, liberta esse ímpeto teu em me consumires, subjuga a tua vontade à minha, fecha os olhos comigo...


segunda-feira, 20 de maio de 2013

exPloração...





Avisaste-me que estavas a chegar...
Alertaste-me que estavas perto!
A ansiedade controlava-me a respiração.
A pele arrepiava-se na antecipação da surpresa.
A voz vibrava promessas na alma.
 
Sei que gostas de saias, aprecias a facilidade no acesso a recantos guardados. Se tiver que escolher como te desejo, alterno indecisa entre uma barba de 3 dias, crescidinha, porque anseio mordê-la, percorrer toda a linha do teu maxilar com mordidas leves e beijos húmidos; ou de barba feita, de pele lisa, porque gosto do deslizar da tua pele nas minhas coxas...

Mas desta vez vou esmerar-me! Vou-te fazer sentir coisas novas. Vou superar os teus sentidos! Quero elevar o teu êxtase, quero erguer o teu desejo bem alto. Espelhar nos teus olhos a minha vontade, sentir na tua pele o fumegar da minha, alimentar a tua safadeza com a minha...
Da última vez que me visitaste de madrugada presenteaste a minha gulodice com um festim erguido que ainda hoje lambo os lábios de gula. Lambeste-me afincadamente e expressaste vontades que correspondi com deleite; dedilhaste-me até ecoarem os meus gritos. Hoje almejo por te ouvir implorar. Sentir a tua pele implorar pelas minhas mãos, reconhecer em ti a tesão pelo meu lábio travesso, fazer-te sorrir na antecipação do trespasse da minha língua, fazer-te implorar pela minha boca a engolir-te.

Talvez te amarre as mãos e liberte toda a minha sem envergonhice em ti; agrada-me olhar-te indefeso, amarrado, à mercê da minha Luxúria. Talvez te vende esses olhos escuros safados que reagem ao vislumbre do meu decote; deleito-me numa tortura minorizada por múrmurios de calmia onde atenuo a tua excitação. Argumentos proferidos em surdina confinam o teu corpo ao mais irrequieto estremecer. Espremo pérolas de prazer líquido que lambo enternecida e ávida de saudade. Vislumbro o teu descontrolo por entre os meus dedos, mordo o lábio trespassada de volúpia resguardada na obscuridade do teu olhar, encaminho-me decidida para o desenlace final...

... e encaixo-me em Ti! Espero que não tenhas hora para sair...

domingo, 19 de maio de 2013

Obrigação...



Amor e Ódio estão intimamente ligados.
Por isso, se me odeias, se me tens raiva, então já me Amaste
E isso basta-me...


Quando o Santo silenciosamente profere e ordena...
A Fiél devota cumpre...

... E seja feita a vontade dEle!

(até serem proferidos novos desejos)