segunda-feira, 24 de junho de 2013

Atracção....



... consiste na mais pura tracção involuntária e inexplicável entre dois corpos que se clamam.
... é recheada de prazeres sentidos a um nível superior, o que eleva ainda mais a tracção da atracção.
 
O movimento que descrevem estes corpos, em jeito de marionetas, ao sabor de uma tracção com um destino guardado num qualquer GPS invisível. Razão? Qual razão? Completamente ultrapassada e aniquilada na viagem de tracção em que giramos para colmatar numa atracção visceral... instintiva... primitiva... Explicação? Não existe. Esta é uma tracção movida a apetites, a desejos, ainda que incompreensíveis, mas desejos.
 
A atracção impele-nos num abismo ascendente enquanto se consome, mas descendente enquanto se move. Na busca reside o poder da tracção. Na conquista o sabor da atracção. No almejar a dor. No ter o prazer. Uma balança ímpar que nos comanda além do pensamento... Esse só serve na busca, e mesmo assim contemplamos erros tão banais quando nos vemos cercados de placas indicadoras do caminho certo.
Se a tracção aumenta o prazer da atracção, saibamos alegrar-nos com o sabor do percurso. Agridoce é certo, mas no fim, a atracção não seria preenchida pelos mais altos clamores e gemidos, se a tracção fosse breve. Uma tracção conquistada a duas velocidades. de um lado pode acelerar, mas o outro vai certamente desviar-se do curso em percorriam em conjunto.
 
"Chegou ao destino!", grita o GPS...
Quando esta percepção nos atinge... já não há tempo para palavras. A tracção termina num esfregar de peles, num jogo de braços e mãos que apalpam, apertam, espremem... bocas que sugam, beijam, mordem, lambem... sexos que se assaltam a um ritmo avassalador, dependente da sofreguidão da tracção... atracção é isto... e muito mais!


segunda-feira, 17 de junho de 2013

"Minha!"...



Gosto de ouvir a tua voz... 
Gosto dos arrepios que me provoca... 
Gosto de sentir-me embalada nas tuas ordens.
Gosto de aconchegar a tua boca no meu ouvido para prestar atenção aos teus sussurros, aos teus gemidos, aos teus suspiros de prazer. Perfeitas exalações de desejo, que me embriagam a pele, que me deixam bêbada de ti, que me estremecem os sentidos, que me fazem vibrar intensamente quando escuto as tuas melodias surdas neste corpo que te serve de instrumento dos mais profundos acordes.
Gosto da tua voz... 
Gosto de te provocar para que nunca pares de falar, para que me murmures que queres mais.... 
Insaciável de Ti... Insaciável de Ti em Mim... Quero-TE insaciável de Mim!

quarta-feira, 12 de junho de 2013



"I'll punish you with pleasure...
... I'll pleasure you with pain!"


Hummm.... adoro castigos!!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Descasca-Me...




Conheces-me como a um mapa que percorres de olhos fechados. 
Definiste bem os trilhos que pretendes traçar na ponta dos dedos. 
Escolhes saborear-me a tragos cheios... 
Quero sentir-te debaixo da pele que me cobre. 
Quero sentir-te a devorar-me o interior do corpo sumarento. 
Quero que sejas lascivo comigo.
Com a tua língua quero que me saboreies por completo, cada milímetro de pele, cada músculo, cada recanto que me compõe. Assim como se fez com a maçã do Adão, quando te vires livre da pele, mordisca-me lentamente, incendeia-me, alerta os meus sentidos. Conseguisse eu amarrar-te no tempo, amordaçar-te no silêncio dos teus gritos...Quero que me beijes e arranques a pele febril!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Clandestino....




Conquistaste-me pelo teu sentido de humor. Mas acima de tudo pela tua imensa frontalidade e sinceridade.
Conquistaste-me porque te dedicaste a mim naquela noite, e me levaste para uma ruela deserta, de madrugada. Não desististe enquanto não aceitei um passeio de prazer contigo. Essa persistência trouxe-te frutos. Trouxe-te as tão ambicionadas gotas do meu prazer nos teus lábios, na tua língua, quando saímos para fora do carro e me deitaste o corpo sedento por cima do capot, para te facilitar o alcance a tais pérolas.
Foi também com os pés quase a atingir a lua que gemi e arqueei as costas por cada entrada em que me conduzias a arrepios de deleite e humor. E por cada saída, seguida de entrada, seguida de saída, ritmada, compassada, controlada, arfante,estrelada passagem que percorrias em mim. Uma noite quente, com uma brisa amena, que nos fez suar os corpos ligados. Uma noite intensa onde te torturei, sentada no teu colo, até que me imploraste que parasse. Não aguentavas  mais e não querias dar por terminada uma jornada que te custou a conquistar. Quiseste mostrar-me a tua mestria, eu torturei-te com prazer, gemidos, gula e luxúria. Senti-me rainha e dona dos teus desejos, e foi apenas quando o dia amanheceu que te libertei de mim. Torturaste-me tu em seguida,  por te teres deixado levar pelas minhas pernas abertas no teu colo. E não desististe até me ouvires gritar na alvorada que se avizinhava, até me sentires estremecer debaixo de ti  tornando-te o dono e senhor...

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Eu.... (3)




Porque é que estamos todos sempre à espera de escutar um "Amo-te"?
De onde nos surge esta necessidade extrema de afecto?

Não seremos nós seres auto-suficientes? Podemos cuidar de nós, manter-nos, sustentar-nos, vivermos... mas a necessidade palpitante de afirmação junto do semelhante insurge-se no nosso dia-a-dia. É o motor deste nosso veículo chamado corpo, onde a mente constitui as rodas que giram em busca de uma palmadinha nas costas, um busca de um sorriso, de um beijo, de uma carícia, de um afago que será sempre insuficiente. Sempre fugaz. Sempre momentâneo. Sempre instantâneo. Sempre efémero. Porque é que nunca chega? Porque somos irremediavelmente enleados nesta teia sem fim? Somos presas do nosso desejo, somos predadores nesta busca, nesta demanda do Santo Graal. Perdemo-nos em camas alheias, em carros perdidos no mato, em escadas auspiciosas de tesões prementes, em praias vazias... em tantos lugares que satisfazem a gula, mas descontrolam a avareza numa vingança sem fim, num pecado constante com o nosso próprio Eu. No fundo agimos contra nós. Ébrios de um alcoolismo de uma vida, castigamo-nos numa oratória que se prolonga por dezenas de anos...
 
Porque o prazer supremo, o sentir que estamos completos, o encarar a nossa felicidade, nunca é atingido. A verdade é que somos felizes quando não estamos tristes. Mas nesses intervalos de felicidade que tantas vezes enchem o nosso dia, fazemos questão de regressar ao passado para recordar uma qualquer situação que nos cria saudade, como se ali residisse a cereja no topo do bolo. Ou fazemos questão de imaginar o futuro, e ambicionar sempre algo que será melhor do que o agora. Mas afinal o agora chega! Porque não estamos tristes, porque acabámos de sorrir, porque nos sentimos bem! Mas não nos quedamos a saborear o agora, fugimos sim para o ontem ou o amanhã. O agora desaparece, e o momento de felicidade evapora-se... Precipitando-nos novamente na demanda ilusória de que nos falta algo.
 
Quando somos crianças instigam-nos a estudar para podermos trabalhar e ser gente. Quando nos tornamos adultos, não é a trabalhar que somos gente. É quando alguém nos sorri, nos cumprimenta, nos ouve, nos observa, que passamos a ser gente. Gente aos olhos dos outros. E não gente para nós. Até na nossa busca somos infelizes...
 
Onde está o Agora que nos faz sentir bem? Consegues prendê-LO?...


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Anéis....





Anéis que te identificam...
Anéis que te comprometem...
Anéis que te remetem ao auge do sentir.
 
Anéis que envolvo em mim, que revolvo com a mestria de uma língua que te conhece. Que te descobre o sentir, que te aguça a erecção, que te palpita o pensamento. Anéis que percorro como um caminho rotineiro onde reconheço sulcos e vales. Anéis que eu vandalizo. Anéis que se acirram ao saborear um sopro quente de promessas que se avizinham. Anéis exaltados pela humidade da minha boca. Anéis entumescidos de prazer que recolho em mim, lambendo prazeres pingados. Anéis que compõem a espiral onde me lambuzo. Anéis que são a partitura que dedilho com fervor...